sexta-feira, 25 de maio de 2012


Pontos para contar um conto


Profª. Vera Ravagnani




“CONTAR UMA HISTÓRIA
É DAR UM
PRESENTE DE AMOR”
LEWIS CARROL


Credo dos contadores de histórias

  • Creio que a imaginação pode mais que o conhecimento.
  • Que o mito pode mais que a História
  • Que os sonhos podem mais que os fatos.
  • Que a esperança sempre vence a experiência.
  • Que só o riso cura a tristeza.
  • E creio que o amor pode mais que a morte.



Por que contar histórias?

“Não ensine seu filho que as estrelas
não são do tamanho que parecem ter:
maiores que a Terra!
São lâmpadas que os anjos acendem
todos os dias
Assim que o sol começa a escurecer...
Não diga a seu filho
Que as asas dos anjos
Só existem na imaginação.
Já vi meu anjo em sonho
E posso jurar que ele tem asas claras
Que até parecem feitas de luz.
Não encha a cabeça de seu filho
Ensinando-lhe hipóteses precárias
Que amanhã de nada servirão.
Povoe de beleza
O olhar inocente de seu filho.
Dê-lhe uma provisão de bondade
Que chegue para a marcha da vida
Infunda-lhe na alma o amor de deus
e tudo o mais, por acréscimo ele terá”

Dom Hélder Câmara


Mandamentos do contador de histórias

De acordo com o grupo de contadores de história Morandubetá

1. Escolha uma história de que você goste muito e deseja contar.
2. Leia essa história muitas vezes.
3. Feche os olhos e imagine o cenário, os personagens, o tempo...
4. Escolha a voz para o narrador e para os personagens da história.
5. Exercite seu poder de concentração.
6. Tenha cuidado com sua postura e os vícios de linguagem.
7. Conte para alguém antes de contar para todo o mundo.
8. Na hora de contar, olhe para todos: o olhar diz muita coisa.
9. Seja natural, deixe falar o seu coração e seduza o ouvinte para que ele deseje ouvir novamente


ESCOLHA DA HISTÓRIA

Que história contar?
FAIXA ETÁRIA E INTERESSES
PRÉ-ESCOLARES:
Até 3 ANOS FASE PRÉ-MAGICA
Histórias de bichos
Contos rítmicos leves lúdicos e bem
humorados bem curtos
Histórias com a criança
Cantigas de ninar


FAIXA ETÁRIA E INTERESSES

Fase pré-mágica:
De 3 a 6 anos
Histórias de bichos
Pequenos contos de fadas com
enredo simples e poucas personagens
Poemas
Trava-línguas
Parlendas
Cantigas de rodas
limeriques


FAIXA ETÁRIA E INTERESSES

Fase escolar – 7 anos
Histórias de crianças, animais e
encantamentos
Contos de fadas mais elaborados
Aventuras no ambiente próximo:
família e comunidade





FAIXA ETÁRIA E INTERESSES

Fase escolar – 8 anos
Histórias humorísticas
Contos de fadas mais elaborados
Lendas folclóricas

FAIXA ETÁRIA E INTERESSES

Fase escolar – 9 anos
Mitos
Contos de fadas mais elaborados
Antigo testamento como mito
Histórias verídicas
Histórias de humor

FAIXA ETÁRIA E INTERESSES

Fase escolar – 10 anos
Mitos
Mitologia nórdica
Narrativas de viagens
Histórias verídicas

FAIXA ETÁRIA E INTERESSES

Fase escolar – 11 e 12 anos
Mitos (hindus, pérsas, árabes,
egípcios)
Narrativas de viagens
Histórias verídicas
Mitos de heróis

FAIXA ETÁRIA E INTERESSES

Fase escolar – 12 anos em diante
Narrativas de viagens
Histórias verídicas
Biografia
romances

FAIXA ETÁRIA E INTERESSES

Adolescentes e adultos
Narrativas de viagens
Histórias verídicas
Biografias
Romances
crônicas


AS HISTÓRIAS DE TRADIÇÃO ORAL...

CONTOS DE FADAS
CONTOS MARAVILHOSOS
FÁBULAS
LENDAS
MITOS
CAUSOS
ESTUDO DA NARRATIVA
ESTRUTURA DA NARRATIVA
EXPLORANDO UMA HISTÓRIA
A MÚSICA COMPLETA A NARRATIVA




FORMAS DE APRESENTAÇÃO DAS HISTÓRIAS

CONTAÇÃO
COM O LIVRO
COM GRAVURAS
COM FANELÓGRAFO
COM DESENHOS
COM INTERFERÊNCIA
PARA CADA SITUAÇÃO UM RECURSO
CONTANDO...
A CONVERSA ANTES DA HISTÓRIA
O CONTADOR DE HISTÓRIAS
A PREPARAÇÃO
A DURAÇAO DA NARRATIVA
COMO LIDAR COM INTERRUPÇÕES
CONVERSA DEPOIS DA HISTÓRIA



O bom contador de histórias deve observar:

O local
A luminosidade
O conforto
O silêncio
A atenção
Os elementos mágicos
A surpresa
A escolha e o preparo da história


1. O preparo geral:
Para quem eu contarei? (quem são
os ouvintes)
Onde eu contarei? (local)

2. O preparo específico:
Para que eu contarei?(finalidade)
Depois selecionar a história.
Ler atentamente e gostar dela.
Recontar para si mesma (o) em voz alta.
Reconhecer a introdução, o desenvolvimento e a conclusão.
Decorar o início e o fim, marcar o clímax.
Memorizar as imagens e seqüências da história



Preparar o ambiente

Escolher um elemento surpresa que
seja marcante na história.
Cuidar dos gestos, voz, roupas.
Evitar teatralizar, não imitar vozes, o
foco do teatro é a visão; do contador de
histórias é a audição. É preciso que as
pessoas te ouçam com atenção, fiquem
atentas à sua voz.


3. Contação:
A história deve ser contada calmamente, porém com ritmo e entusiasmo.
Usar uma fórmulas tradicionais de introdução e de encerramento.
AO TERMINAR: Jamais moralizar o conteúdo nem dar explicações psicológicas.



Bons trabalhos

“ Entrou por uma porta e saiu por outra quem quiser que conte
outra...”

quarta-feira, 16 de maio de 2012



IRMÃOS  GRIMM


Os irmãos JACOB (1785)  e WILHELM (1786) nasceram na cidade alemã de Hanau, no Estado de Hesse, de família protestante e recatada. Eram amigos inseparáveis. Ambos se formaram em Direito. Movidos pelo espírito patriótico, seu interesse se volta para o conhecimento das origens da língua alemã que só o povo domina. Depois de formados eles decidem percorrer o país recolhendo histórias de tradição oral, interessados apenas no conhecimento da língua, da literatura e da filologia germânica. Primeiro entrevistam moradores das margens do rio Reno. No convívio com as pessoas do povo acabaram fascinados pelas narrativas recorrentes, presentes em todos os lares, prazerosamente utilizadas para o lazer e a educação das crianças.  Wilhelm se casou com Dorothea Vienhmann, uma fonte viva do repertório dos contos populares em voga naquele perturbado início do século 19. Foi ela quem, pacientemente, contou e recontou várias vezes cada história para que o marido pudesse anotar palavra por palavra a narrativa singela e lírica. Ela lhe trouxe a melhor versão de Joãozinho e Maria, segundo depoimento do próprio filho.

A peregrinação linguística e filológica pela Germânia durou longos treze anos e os levou ao convívio de famílias onde vovós e amas, responsáveis pelo cuidado das crianças, encantavam os pequenos com histórias secularmente repetidas, recheadas de fatos novos, heroicos, patrióticos, mágicos. Impressionados com a presença deste nítido traço cultural constante na educação das crianças germânicas de todas as classes sociais, os dois estudiosos da língua materna decidem “apurar” o fio narrativo que perpassa a trama de mais de duzentas histórias recolhidas.


HISTÓRIAS DA CRIANÇA E DO LAR

Em 1812 publicam 211 narrativas intituladas HISTÓRIAS DA CRIANÇA E DO LAR, ilustradas pelo irmão pintor, LUDVIG. Esta edição tem pouca repercussão. Sete anos mais tarde, em 1819, Wilhelm dá redação definitiva à mesma obra, agora em três volumes e contendo apenas 51 histórias. Deixaram bem claro que não tinham a autoria de nenhum conto, apenas se ocuparam da compilação das diferentes versões disponíveis. São histórias de domínio público, cunhadas no imaginário popular, que correm mundo há séculos, com algumas variantes, chamadas hoje contos de fadas, com ou sem a presença das fadas.  Esta edição é um sucesso e consagra a obra.   




Cem anos antes deles, na França, PERRAULT havia feito circular estes contos simplórios entre pessoas letradas e a nobreza, sem despertar grande curiosidade, pela singularidade dos mesmos, meras historinhas de bichos falantes, de príncipes e princesas, de alfaiates e moleiros, de anões e gigantes, de improváveis duendes, de meninos fujões etc. CONTOS DA MAMÃE GANSA não pretende resgatar a cultura da tradição oral francesa. Ele desejava se utilizar dos contos para uma atividade moralizante, e para conseguir seu objetivo, modificava a história a seu bel prazer.  PERRAULT não sabia que os contos de fadas têm diversos significados e só a criança pode saber quais são os mais importantes para ela em determinado momento de sua vida.

PERSONAGENS E TRAMAS DOS CONTOS DE FADAS  -

Princesas desamparadas, crianças órfãs, exploradas, tolas, dragões invencíveis, bichos falantes, filhotes rejeitados, fauna e flora personalizadas, mistérios a desvendar, feitiços, castigos, heróis, tesouros escondidos, o destino, a fatalidade, a esperteza e a inteligência, a  miséria, a ascensão social, a sorte, a rejeição, a beleza, e a vitória ao fim de tudo são ingredientes constantes nos contos de fadas. Cada um conta uma história de superação cheia de suspense, de sobressaltos, de sofrimento físico e moral. O bullying, agora nomeado e combatido, é presença constante em todas as narrativas de eras imemoriais, o que comprova que a humanidade ainda tem um longo caminho a percorrer. Cf. CINDERELA, O PATINHO FEIO, OS TRÊS PORQUINHOS, CHAPEUZINHO VERMELHO, JOÃOZINHO E MARIA, BRANCA DE NEVE,  RAPUNZEL, A GALINHA RUIVA, A MOURA TORTA, JOÃO E O PÉ DE FEIJÃO, A BOLINHA DE OURO  etc.

PERMANÊNCIA E  SIMILARIDADE  -

Há indícios de que os temas principais de alguns contos se reportariam a 25.000 anos a.C., mantendo-se praticamente inalterados. Eles estão registrados na origem de todos os acervos. Papiros egípcios registram tramas até hoje inalteradas como a dos dois irmãos. Pelos escritos de PLATÃO sabemos que as mulheres mais velhas contavam a suas crianças histórias simbólicas  -MYTHOI, histórias dos deuses- lares e fábulas antropomórficas.  Desde então os contos estão vinculados à educação das crianças, que era feita em casa.  Há contos muito singelos registrados na Rússia  e nos países escandinavos com absoluta similaridade.

 APULEIO, filósofo e escritor do segundo século D.C., escreveu AMOR E PSYCHE, ou O ASNO DE OURO, uma história de redenção semelhante a A BELA E A FERA ( mulher que redime seu amado da forma animal e são felizes para sempre). A medicina demorou demais a garantir a vida às parturientes. Isto explica a existência da madrasta que maltrata os enteados na ausência do pai, para beneficiar seus próprios filhos. BRANCA DE NEVE e A FIGUEIRA CANTANTE ilustram bem esta situação.

Até os séculos XVII e XVIII, os contos de fadas eram contados tanto para adultos como para crianças, em rodas de conversa nas horas vagas, para aquecer as noites frias dos termináveis invernos rigorosos da Europa, assim como ainda hoje se pratica entre as civilizações mais primitivas e remotas (silvícolas brasileiros). Eles costumavam se a forma principal de entretenimento para as populações  agrícolas na época do inverno, quando as estradas escassas ficavam interditadas e a vida mergulhava num intenso marasmo amedrontado. Contar e ouvir cotos de fadas tornou-se uma espécie de ocupação espiritual essencial. Estes contos representavam a filosofia da roda de fiar (Rocken  Philosophie). Só no século XVIII o interesse científico se manifestou, motivado pelos movimentos nacionalistas. Nomes se firmam nesta pesquisa: Winckelmann, Haman, Herder, porém Jacob e Wilhelm GRIMM se consolidam  como os mais devotados e mais fieis à tradição popular.

GRAMÁTICA  ALEMà -


 O trabalho científico dos irmãos GRIMM lhes rendeu grande popularidade e abriu-lhes as portas do mundo acadêmico. Em 1829 Jacob foi nomeado professor da Universidade de Göttingen e Wilhelm, bibliotecário, mas ambos continuaram suas pesquisas linguísticas, focadas nos diversos dialetos existentes no território alemão e se notabilizam pela contribuição dada ao conhecimento de textos arcaicos da produção literária de seu país. A GRAMÁTICA ALEMÃ de Jacob GRIMM fundamenta uma nova ciência, a germanística. Ele é o precursor dos estudos de filologia germânica.

 Oito anos mais tarde ambos assinam um protesto contra a violação da Constituição praticada pelo rei de Hanover e são punidos.  Este revés político os obriga a grandes privações, entre elas a perda da cátedra. Ambos de mudam para Kassel e vão morar com o irmão Ludvig, pintor de algum renome, ilustrador da primeira edição do livro de 211 contos populares recolhidos por eles. Esta iniciativa não faz sucesso. Anos mais tarde Wilhelm seleciona 50 narrativas, dá-lhes um ligeiro retoque, insere onomatopeias, discurso direto, e aí, sim, o sucesso é retumbante. Edições se sucedem e ele é traduzido para diversos idiomas. A partir de então eles decidem se dedicar exclusivamente à compilação da GRAMÁTICA ALEMÃ.

Em 1841, reconhecidos como pesquisadores criteriosos e democratas eméritos, ambos são contratados pela Universidade de Berlim, onde trabalharão com cem colaboradores durante quatorze anos, na elaboração do DICIONÁRIO ALEMÃO, o projeto mais ambicioso  de Jacob . Em 1852 sai a publicação do primeiro volume.  Jacob elabora os verbetes de A até C. O verbete D ficou a cargo de Wilhelm. Sucessivas gerações de germanistas deram prosseguimento a este trabalho monumental e em 1960, mais de cem anos depois, editou-se o volume 32, o último do DICIONÁRIO  conhecido como O GRIMM.

 O EQUÍVOCO  

De tal maneira JACOB e WILHELM GRIMM se empolgaram com a similitude das histórias coletadas, que formularam uma teoria segundo a qual todos os contos populares em voga tinham uma única origem: a cultura dos povos arianos (hindus, persas, gregos, romanos), cujas lendas e mitos foram disseminados em todos os territórios por eles ocupados dentro do continente europeu. Duzentos anos depois pode-se afirmar que esta teoria caiu por terra depois que a humanidade passou a pesquisar com rigor científico as lendas, mitos e contos de origem não europeia e ficou provado que em toda parte a mesma trama subsiste, independente de conceitos e preconceitos, e que o paganismo está presente em todos os relatos da tradição popular, com insignificantes variáveis.

RITO DE PASSAGEM  -

O traço comum destas histórias erroneamente denominadas infantis, classificadas como CONTOS DE FADAS (com ou sem fadas), é ser um rito de passagem. Os personagens centrais aspiram a um ideal de poder, de beleza, de felicidade ou de justiça. Eles serão submetidos a grandes desafios e sofrimentos que, depois de vencidos, lhes darão a glória, a felicidade e o reconhecimento do grupo. Para que o sapo volte a ser príncipe ele tem que quebrar o castigo que lhe foi imposto e conquistar o amor da princesa. Só o amor de BELA salvará a FERA daquele sofrimento monstruoso. Assim analisadas fica evidente o caráter otimista das histórias que permanecem no imaginário popular, desafiando os séculos, as religiões, os movimentos políticos e sociais. Porque o ser humano tem uma necessidade premente de sonhar, de habitar um lugar no cosmo onde ele possa ser feliz. As avós e as amas sempre souberam disto e os irmãos GRIMM tiveram a percepção da importância do registro. Nem o cristianismo, o mais feroz adversário do prazer, conseguiu anular a força encantatória dos contos de fadas. A humanidade, especialmente a criança, sempre amará as fadas e as bruxas, o bem e o mal, apesar da ética e dos preceitos morais, simplesmente porque a poesia e a arte andam de mãos dadas no coração de cada ser humano.  

CONSCIENTE   X   INCONSCIENTE

Há alguns anos estudiosos da mente humana se debruçam sobre os contos de fadas, procurando descobrir nele alguns elementos que os ajudem a desvendar alguns mistérios que a Psicologia e a Psicanálise colocam a todo momento. Considerando ser a humanidade um conjunto desigual de seres aparentemente semelhantes, a diferença entre cada um será definida por vários fatores fortemente comandados pelo consciente, o inconsciente e o subconsciente. O inconsciente individual gesta e elabora os sonhos, as visões, as fantasias e os medos, enquanto o inconsciente coletivo reproduz e vivifica os mitos, as lendas e os contos de fadas.

JUNG continua sendo a mais respeitada autoridade no assunto. Sua colaboradora Marie-Louise Von Franz e Bettelhein, entre outros, se dedicaram à pesquisa de várias modalidades de manifestações do inconsciente. Para eles os contos de fadas vêm de regiões muito distantes do mundo real, consciente. Sofreram um mínimo de elaborações e mutilações através do tempo. Nem todos conseguiram guardar a pureza original pagã, visto que o cristianismo impregnou ingredientes de doutrinação religiosa. Segundo Nise da Silveira: ... “Os contos de fadas são o veículo adequado capaz de trazer à consciência infantil em formação, de maneira assimilável, as ricas substâncias contidas nas raízes da psique. Deveriam ter um lugar importante na educação, porém, infelizmente, assim mão acontece. Mesmo quando oferecidos à criança, costumam vir hoje retocados inescrupulosamente, com os personagens todos bonzinhos. Sua força salutar fica perdida...” para se enquadrar em moldes políticos, padrões étnicos e dogmas religiosos quase sempre ditatoriais.” Bettelheim ensina: É característica dos contos de fadas colocar o dilema existencial de forma breve e categórica. Isto permite à criança compreender o problema em sua forma mais essencial, em vez de uma trama mais complexa que confundiria o assunto para ela. O conto de fadas simplifica tudo, elimina detalhes e trabalha com personagens típicos, definidos. O valor dos contos de fadas é destruído se alguém os reelabora ou altera seus elementos. 

REABILITAÇÃO PELA PSICANÁLISE  -

Durante muitos anos OS CONTOS de GRIMM estiveram banidos pela pedagogia que os considerava muito violentos. Eles foram reabilitados pela psicanálise, graças a JUNG, Marie Louise Von Franz e Bruno BETTELHEIM, principalmente. Segundo eles a forma e a estrutura dos contos de fadas sugerem às crianças imagens com as quais elas podem estruturar seus devaneios e assim se compreenderem melhor  e, por extensão, compreender o mundo. O bem e o mal coexistem no ser humano e esta dualidade pode ser considerada sem maiores sofrimentos a partir di vasto repertório dos contos de fadas.


PÓS JUNG  -

A grande contribuição dos psicanalistas é levantar o debate a respeito da qualidade da nutrição literária que oferecemos a nossas crianças. O mercado editorial às vezes trapaceia, com vista no lucro fácil. Também o cancioneiro infantil tem sido vítima de um patrulhamento perigoso e desnecessário. ATIREI O PAU NO GA-TO-TO agrada a crianças pequenas por causa da cadência, da musicalidade. Crianças que cantam esta cantiga de roda não serão mais nem menos violentas na vida real, até porque crianças e gatos se amam incondicionalmente. A criança não se intimida com o lobo mau. Ela se compraz no crescendo do risco de morte do encontro de Chapeuzinho com o lobo travestido de vovozinha. PARA QUÊ ESTES OLHOS TÃO GRANDES?...PARA QUÊ ESTA BOCA TÃO GRANDE? A criança-ouvinte sabe que os caçadores estão por perto, e ela vai ajudá-los a salvar a menina e sua avó, que sairá viva de dentro da barriga do lobo. O maravilhoso cabe perfeitamente no coração, no imaginário, no subconsciente, no inconsciente e no consciente de qualquer criança. Não estamos mais na Idade Média, quando as florestas estavam povoadas de lobos famintos. Será uma caçada de mentirinha porque ela sabe que os lobos estão em extinção e é preciso preservá-los. A curingagem também é altamente salutar para o desenvolvimento do ser humano em formação. Um dia Zezinho quer ser lobo, na semana seguinte quer ser príncipe, e na festinha da escola reivindica o papel de caçador e assim vai definindo sua personalidade e se inserindo no mundo complexo dos adultos.

Em  A PSICANÁLISE DOS CONTOS DE FADAS, BETTELHEIM aconselha:  ...”É sempre bom lembrar que os primeiros passos para adquirir uma personalidade bem integrada são dados quando a criança começa a lutar contra suas ligações profundas e ambivalentes com seus pais, isto é, seus conflitos edipianos. Com resito a estes conflitos, os contos de fadas ajudam a criança a compreender melhor a natureza de sua situação, oferecem ideias que lhe dão coragem de lutar contra suas dificuldades e fortalecem as esperanças de uma resolução bem sucedida das mesmas. “

A NOVA ONDA    -   

Uma nova onda parece perturbar conceitos psicanalíticos junguianos, enchendo de erotismo e perversão sexual os contos de fadas. A globalização também põe em risco a cultura popular dos países pobres, impingindo-lhes a cultura dos povos dos países ricos. Os contadores de histórias devem se organizar em plantão permanente a favor da singeleza, da ingenuidade, da criatividade e da beleza imortal dos contos de tradição popular, porque aí reside a força da humanidade.   

A IMPORTÂNCIA  DOS IRMÃOS GRIMM  -

A coleção de contos de fadas publicada pelos irmãos GRIMM causou um alvoroço na Europa. Muitas pessoas se interessaram por  coletar depoimentos orais e, para espanto do mundo letrado, constatou-se  e existência do mesmo tema com milhares de variações na França, na Rússia, na Itália, na Finlândia. Com certeza haveria uma “antiga sabedoria” continental remanescente, que era preciso pesquisar.

O grande mérito dos irmãos Grimm foi enfrentar o pouco caso da camada mais letrada da sociedade acadêmica e acreditar na importância do legado recolhido, de tramas popularescas às quais deram corpo e roupagem editorial. Em momento algum eles pensaram no benefício futuro das crianças do mundo. Recolheram histórias narradas por adultos, para adultos, tanto assim que Wilhelm escreve no prólogo dos CONTOS: ...”O livro não foi escrito para crianças. Se elas gostarem dele, tanto melhor. Eu não me empenharia tanto em escrevê-lo se não acreditasse que as pessoas sérias e idosas poderiam considerá-lo importante do ponto de vista da poesia, da mitologia e da história.”

 É importante ressaltar a valorização da criança confinada no ambiente familiar, pela primeira vez considerada público alvo, merecedora de oportunidade de encantamento. Além de perpetuar os contos através da publicação, eles ainda reservaram um lugar do honra às narradoras, avós, preceptoras e amas. O trabalho dos irmãos GRIMM consagra a figura do contador de histórias.

  Apesar da grande contribuição á filologia germânica, à Gramática Alemã e ao Dicionário GRIMM, o que deu notoriedade aos irmãos Jacob e Wilhelm  foi o recolhimento minucioso dos contos de tradição popular hoje chamados de contos de fadas.

Martha de Freitas Azevedo Pannunzio

 Elaborado na  Fazenda Água Limpa em 15/05/2012,  para a 4ª Reunião do NCH CirAndando


Fonte de Pesquisa:

Edição Especial

200 Anos Grimm

Rio de Janeiro, agosto de 1987

60 p.

ISSN 0100-7238

Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ

Seção brasileira de IBBY
Imagens: www.google.com



Principais Obras dos Irmãos Grimm
*     Cinderela;
*     Branca de Neve;
*     João e Maria;
*     Rapunzel
*     Os Músicos de Bremen;
*     A Protegida de Maria;
*     O Ganso de Ouro;
*     O Alfaiate Valente;
*     O Lobo e as Sete Cabras;
*     Os Sete Corvos;
*     As Aventuras do Irmão Folgazão;
*     Os Três Fios de Cabelo do Diabo.
*     Alladin
*     A princesa e o sapo
*     Rumpelstiltskin
*     As viagens do Pequeno Polegar
*     A Bela Adormecida
*     O Flautista de Hamelim;


quinta-feira, 10 de maio de 2012





4ª Reunião do Núcleo de Contadores de História “CirAndando” 


Parceria: IAT/PROLER/FIEMG/Of. Cultural e Biblioteca Pública 


Data: 16/Maio de 2012 

Tema: Irmãos Grimm: o inconsciente coletivo.

Motivadora: Martha Pannunzio




Horário: 08h às 11h30 ou 13h às 17h ou 18h às 21h30 


Local: Oficina Cultural (Praça Clarimundo Carneiro, 204) 


Obs.: Para sua performance prepare um CONTO DOS GRIMM.


Esperamos por você! 


2012 – Agenda de Reuniões Formativas

15/Fevereiro 
14/Março
18/Abril 
16/Maio 
13/Junho 
 04/Julho 
08/Agosto 
 12/Setembro 
17/Outubro 
07/Novembro 
04/Dezembro

terça-feira, 24 de abril de 2012





                    MONTEIRO LOBATO

  José Bento Monteiro Lobato  nasceu em Taubaté, em 18 de abril de 1882 e faleceu em São Paulo, em 04 de julho de 1948.

                                   Quem Foi

   Um dos mais influentes escritores brasileiros do século  XX, além de autor de importantes traduções e editor de livros inéditos.
  Na Literatura Infantil Brasileira, ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo de suas obras, que constitui a metade de sua produção literária.   Pioneiro na literatura paradidática, ensinando história, geografia e matemática, de forma divertida . A outra metade consiste de contos , geralmente sobre temas brasileiros, artigos, críticas, crônicas, prefácios, cartas, um livro sobre a importância do ferro e do petróleo e um único romance “O Presidente Negro/O Choque”.

                           Seus Primeiros Anos

  Criado em um sítio, foi alfabetizado pela mãe e por um professor particular. Aos sete anos, entrou num colégio.  Descobrira os livros de seu avô materno, o Visconde de Tremembé, dono de uma imensa biblioteca, na casa. Leu tudo que havia para crianças, em língua portuguesa. Nos primeiros anos de estudante já escrevia pequenos contos para os jornaizinhos de sua escola.
  Em 1896, foi para São Paulo, de onde escrevia minuciosas cartas a sua
família, descrevendo a cidade.
  Retornou a Taubaté. Em 1898,  perdeu o pai e, um ano depois, sua mãe .
  Tendo forte talento para o desenho, pois desde menino retratava a fazenda do avô, tornou-se desenhista e caricaturista.

                          A Volta para São Paulo

  Foi para São Paulo, aos 17 anos. Seu sonho era a Escola de Belas Artes, mas por imposição de seu avô, que o tinha como um sucessor na administração de seus negócios, cursou Direito. Mesmo assim, colaborou em diversas publicações estudantis e fundou, com seus colegas, a “Arcádia Acadêmica”, da qual acabou sendo eleito presidente .Colaborou com o jornal “Onze de Agosto”, com artigos sobre teatro. Era anti-convencional,dizendo sempre o que pensava, agradasse ou não. Defendia a sua verdade com unhas e dentes, contra tudo e contra todos, quaisquer que fossem as  consequências. 
                                       
    O Advogado

  Diplomando-se , regressou a Taubaté, onde passou a ocupar interinamente a promotoria. Dois anos depois, foi nomeado promotor público em  Areias . Casou-se  com  Maria Pureza da Natividade ( Purezinha), em 1908 e teve quatro filhos: Marta, Edgar, Guilherme e Rute.
  Insatisfeito com a vida bucólica de Areias,  abriu um estabelecimento comercial de secos e molhados. Depois, associou-se a um negócio de estradas de ferro. Viveu no interior e nas cidades pequenas da região, escrevendo, paralelamente, para jornais e revistas, como “A Tribuna de Santos”, a “Gazeta de Notícias” do Rio de Janeiro e a revista “Fon-Fon” para onde também mandava caricaturas e desenhos. Passou a traduzir artigos  para o jornal “O Estado de São Paulo” e obras da literatura universal, também enviando artigos para um jornal de Caçapava. Contudo, estava insatisfeito com a vida que levava e com os negócios .
 Com o falecimento de seu avô, tornou-se herdeiro da Fazenda Buquira, para onde se mudou. De promotor a fazendeiro, dedicou-se à modernização da lavoura e à criação.  Ainda insatisfeito mas, dessa vez, com a vida na fazenda, planejou explorar comercialmente o Viaduto do Chá, em São Paulo, em parceria com um amigo.

                                    A  FAMA

  Na Vila de Buquira, hoje Município de Monteiro Lobato,  envolveu-se com política e logo a deixou de lado.
  Como fazendeiro , um fato definiria de vez sua carreira literária:  cansado de enfrentar o inverno seco daquele ano e as constantes queimadas praticadas pelos caboclos, escreveu uma “indignação” intitulada “A Velha
 Praga”. O jornal percebeu o valor daquela carta e publicou-a fora da seção  destinada aos leitores, no que acertou, pois ela provocou polêmica e fez com que Lobato escrevesse outros artigos  como  Urupês (que se tornou seu primeiro livro), dando vida a um de seus mais famosos personagens: Jeca Tatu, que era um grande preguiçoso, totalmente diferente dos caipiras e índios idealizados pela  literatura da época. Gerou polêmica  pois o personagem era símbolo do atraso e da miséria que representava o campo  no Brasil.
  As dificuldades financeiras fizeram-no vender a Fazenda Buquira e mudar-se para São Paulo, em 1916,com o intuito de tornar-se um “escritor-jornalista”. Fundou uma revista em Caçapava e organizou para o jornal “ O Estado de São Paulo” uma imensa pesquisa sobre o Saci.                        
                            Os Quatro G de 1918

 Geada, Greve, I Guerra Mundial e Gripe Espanhola.
 Sobre a  geada,  escreveu  uma importante crônica,impressionado  com a queima dos cafezais paulistas. Na época, ainda escrevia para o jornal  “O Estado de São Paulo” e, como todos os editorialistas pegaram a gripe espanhola, vários editoriais foram escritos unicamente por ele.
 Nesse ano, comprou a Revista do Brasil e passou a dar espaço para  novos talentos, ao lado de pessoas famosas.

                           Semana da Arte Moderna

 Publicou “Paranoia ou Mistificação”,a famosa crítica desfavorável à exposição de  Anita Mafaltti, que culminaria como o estopim para a criação da Semana da Arte Moderna de 1922. Muitos passaram a vê-lo como reacionário, mas hoje, após tantos anos, percebe-se que o que Lobato criticava eram os “ismos” que vinham da Europa: cubismo, futurismo, dadaísmo, surrealismo, que ele achava que eram “colonialismos”, “europeizações”, assim como ocorrera com os acadêmicos das gerações anteriores. No entanto, reconhecia o talento de Anita. Lobato defendia a eugenia, por acreditar que a miscigenação era fator prejudicial na formação do povo brasileiro. Seu livro “O Presidente Negro”, descreve um conflito racial no futuro, após a eleição de um negro para a presidência dos EUA.

                             O Editor e Escritor

  A Revista do Brasil prosperou e ele  montou uma editora .Passou a tratar os livros como produtos de consumo, com capas coloridas e atraentes e uma produção gráfica impecável. Criou uma política de distribuição, novidade na época: vendedores autônomos e distribuidores por todo país.
  Fundou a Editora Monteiro Lobato & Cia . Editou obras importantes e polêmicas como  “A Luta pelo Petróleo”.                                                                                            
  Publicou em forma de livro “Urupês”, com grande sucesso e alcançando grande repercussão, ao dividir o país sobre a veracidade do caipira, fiel para alguns, exagerada para outros. Reacendeu a polêmica, ao citar Jeca Tatu como um “protótipo do camponês brasileiro, abandonado à miséria pelos poderes públicos”. A popularidade fez com que Lobato publicasse “Cidades Mortas” e “Ideias de Jeca Tatu”.
  Em 1920, o conto “Os Faroleiros” serviu de argumento para um filme.
Meses depois, publicou “Negrinha” e “A Menina do Narizinho Arrebitado”, sua primeira obra infantil e que deu origem a Lúcia, mais conhecida como a  Narizinho do “Sítio do Picapau Amarelo”.

Em janeiro de 1921, distribuiu exemplares gratuitos do último livro nas escolas, num total de 500 doações, tornando-se um fato inédito na indústria editorial. Fora um pedido do presidente de São Paulo, Dr. Washington Luís, de quem era admirador. O sucesso entre as crianças gerou continuações: “Fábulas de Narizinho”, “O Saci”, “O Marquês de Rabicó”, “A Caçada da Onça”, “O Noivado de Narizinho”, “Jeca Tatuzinho”, “O Garimpeiro do Rio das Garças”, entre outros.
  Deixou a “Revista do Brasil”e passou a dedicar-se integralmente à editora. A demanda pelos livros era tão grande que ele importou mais máquinas dos Estados Unidos e da Europa. Porém, uma grave seca cortou o fornecimento de energia elétrica e a gráfica só podia funcionar dois dias por semana. Por fim, o presidente Artur Bernardes desvalorizou a moeda e suspendeu o redesconto de títulos pelo Banco do Brasil, gerando um enorme rombo financeiro e muitas dívidas ao escritor.
  Lobato só teve uma escolha: entrou com pedido de falência. Mesmo assim, não significou o fim de seu projeto editorial. Abriu  “A Companhia Editora Nacional”, em sociedade com Octalles Marcondes  e transferiu-se
para o Rio de Janeiro. Os produtos  abrangiam uma variedade de títulos, inclusive traduções, com enorme sucesso de público.
  A partir daí, continuou escrevendo livros infantis, especialmente com Narizinho, Dona Benta, Pedrinho, Tia Nastácia, Visconde de Sabugosa e Emília.
  Por não gostar muito das traduções dos livros europeus para crianças e sendo um nacionalista convicto, criou aventuras com personagens ligados à cultura brasileira, recuperando costumes da roça e lendas do folclore.
  O presidente , reconhecendo nele um representante promissor dos interesses culturais do Brasil, nomeou-o adido comercial nos E.U.A.,em 1927. Então, ele se mudou para New York, onde jogou na Bolsa de Valores e perdeu  tudo que tinha, com a crise de 1929. Vendeu a Companhia Editora Nacional. Escreveu, durante sua estadia lá, vários contos publicados no Brasil e reunidos num único volume: “As Reinações de Narizinho”.Voltou para São Paulo, em 1931.Com a deposição de Washington Luís e o impedimento da posse de Júlio Prestes, começa a antipatia de Lobato por Getúlio Vargas e seu infortúnio.                         

                                    O Petróleo

  Implantou a “Companhia Petróleos do Brasil” e fundou várias empresas, realizando explorações  em território paulista.   
  Acusado de subversivo e desrespeitoso, por causa de uma carta escrita ao presidente, fazendo críticas à política brasileira de minérios, foi preso, em 1941. Libertado, continuou sendo perseguido, pois  denunciou as torturas e
 maus tratos praticados pelo Estado Novo. A censura da ditadura fez com que Lobato  se aproximasse  dos comunistas.
  Em 1945,o livro “A Menina do Narizinho Arrebitado”foi transformado em radionovela para crianças.  Tornou-se diretor do “Instituto Brasil-URSS” e sócio da “Editora Brasiliense”.
    Fugindo da escassez que assolava o Brasil, mudou-se para Buenos Aires, de onde voltou em 1947. A maioria de seus livros infantis se passavam no Sítio do Picapau Amarelo. Em 1948, faleceu. Depois de sua morte, seus livros infantis foram transformados em séries de televisão, com sucesso.
                                            Obras
“O Saci”, “Fábulas”, “ Peter Pan”, “Reinações de Narizinho”, “Caçadas de Pedrinho”, “ Emília no País da Gramática”, “Geografia de Dona Benta”, “Aritmética da Emília”, “Serões de Dona Benta”, “O Poço do Visconde”,”Histórias de Tia Nastácia”, “O Picapau Amarelo” etc. Alguns foram incuídos nos livros da série “O Sítio do Picapau Amarelo”. Muitos foram compilados no volume “Reinações de Narizinho”. Escreveu, também, vários livros para adultos.



PRINCIPAIS OBRAS


Obras Adultas

 


*      Urupês;

*      Cidades mortas;

*      Negrinha;

*      Idéias de Jeca Tatu;

*      A onda verde e O presidente negro;

*      Na antevéspera;

*      O escândalo do petróleo e Ferro.

      Obras Infantis

*      Reinações de Narizinho;

*      Viagem ao céu e O Saci;

*      Caçadas de Pedrinho e Hans Staden;

*      História do mundo para as crianças;

*      Memórias da Emília e Peter Pan;

*      Emília no país da gramática e Aritmética da Emília;

*      D. Quixote das crianças;

*      O poço do Visconde;

*      Histórias de tia Nastácia;

*      O Picapau Amarelo e A reforma da natureza;

*      O Minotauro;

*      Os doze trabalhos de Hércules




Resumos:

*      Urupês

Este livro de contos, considerado por muitos a obra-prima de Monteiro Lobato, tornou-se um clássico da literatura brasileira. É um fenômeno sem precedentes que provoca um terremoto literário, outro sociológico e outro político. A primeira edição, lançada em 1918, foi toda ilustrada pelo próprio Lobato. Junto com Saci, constitui a primeira experiência e também o primeiro êxito editorial de Lobato, financiada com recursos próprios. A terceira edição, em 1919, esgotou-se rapidamente, devido a uma longa referência ao Jeca Tatu, personagem central do livro, feita por Rui Barbosa, o que ensejou uma quarta edição. Lobato brinca com o idioma, adota o vocabulário doméstico do interior de São Paulo, cria palavras novas – como, por exemplo, “matracolejando gargalhadas” – muitas das quais estão hoje nos dicionários. São vários contos, retratando aspectos da realidade brasileira nos quais denuncia, numa linguagem vigorosa, o drama da exclusão social, que ainda persiste no Brasil pós-Lobato. “Velha Praga” é uma reportagem sobre os grandes incêndios – as queimadas – que produzem estragos na lavoura e na economia do País comparáveis aos de uma grande guerra. Buscando culpa, refere-se ao nosso caboclo como “funesto parasita da terra… inadaptável à civilização”. Em Urupês, ele contrapõe aos heróis da literatura indigenista o caboclo, o pobre Jeca, indiferente ao desenvolvimento do País. O livro provocou muita polêmica. Lobato mais tarde reconheceu que o retrato do caboclo era injusto, que a culpa não era do Jeca, mas sim daqueles responsáveis pela sua miséria e abandono.

*      Idéias de Jeca Tatu

No prefácio à primeira edição da Revista do Brasil, em 1919, provavelmente redigido pelo próprio Lobato, afirma-se que “uma idéia central unifica a maioria destes artigos” …. Essa idéia é um grito de guerra em prol da nossa personalidade. Contém o artigo “Paranóia ou mistificação?”, uma crítica aos modernistas, diretamente a Anita Malfatti, que provocou polêmica e a ira dos amigos da pintora.
Ele não admitia que aqui se copiasse o que se produzia na Europa. Queria que o “vigoroso talento” de Anita produzisse coisas mais nossas. Anota o editor que nas numerosas páginas deste volume a terra aparece em suas ominadas expressões – o interior, a roça, a gente da roça, os costumes e comidas da roça. …
 Em Idéias de Jeca Tatu, “Monteiro Lobato aparece em mangas de camisa, integralmente ele próprio no pensamento e no modo de expressá-lo – vivo, alegre, brincalhão e com a ironia às vezes levada até à crueldade”.

*      Reinações de Narizinho

O livro-mãe, a locomotiva do comboio, o puxa-fila. A saga do Picapau Amarelo começa. Aparecem Narizinho, Pedrinho, Emília, o Visconde, Rabicó, Quindim, Nastácia, o Burro Falante… e o milagre do estilo de Monteiro Lobato vai tramando uma série infinita de cenas e aventuras, em que a realidade e a fantasia, tratadas pela sua poderosa imaginação, misturam-se de maneira inextrincável – tal qual se dá normalmente na cabeça das crianças. O encanto que as crianças encontram nestas histórias vem sobretudo disso: são como se elas próprias as estivessem compondo em sua imaginativa, e na língua que todos falamos nessa terra – não em nenhuma língua artificial e artificiosa, mais produto da “literatura” do que da espontaneidade natural (1931).

*      Caçadas de Pedrinho e Hans Staden

Pedrinho organiza uma caçada de onça e sai vitorioso, como também sai vitorioso do ataque das onças e outros animais ao sítio de dona Benta. Depois encontra um rinoceronte, fugido de um circo do Rio de Janeiro, que se refugiara naquelas matas – um animal pacatíssimo do qual Emília tomou conta, depois de batizá-lo de Quindim. Completa o volume a narrativa feita por dona Benta das célebres aventuras de Hans Staden. Esse aventureiro alemão veio ao Brasil em 1559 e esteve nove meses prisioneiro dos tupinambás, assistindo a cenas de antropofagia e à espera de ser devorado de um momento para outro. Mas se salvou e voltou para a Alemanha. Lá publicou o seu livro: o primeiro que aparece com cenário brasileiro e um dos mais pungentes e vivos de todas as literaturas (1933).

Bibliografia:   http://monteirolobato.wordpress.com 
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