terça-feira, 24 de abril de 2012





                    MONTEIRO LOBATO

  José Bento Monteiro Lobato  nasceu em Taubaté, em 18 de abril de 1882 e faleceu em São Paulo, em 04 de julho de 1948.

                                   Quem Foi

   Um dos mais influentes escritores brasileiros do século  XX, além de autor de importantes traduções e editor de livros inéditos.
  Na Literatura Infantil Brasileira, ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo de suas obras, que constitui a metade de sua produção literária.   Pioneiro na literatura paradidática, ensinando história, geografia e matemática, de forma divertida . A outra metade consiste de contos , geralmente sobre temas brasileiros, artigos, críticas, crônicas, prefácios, cartas, um livro sobre a importância do ferro e do petróleo e um único romance “O Presidente Negro/O Choque”.

                           Seus Primeiros Anos

  Criado em um sítio, foi alfabetizado pela mãe e por um professor particular. Aos sete anos, entrou num colégio.  Descobrira os livros de seu avô materno, o Visconde de Tremembé, dono de uma imensa biblioteca, na casa. Leu tudo que havia para crianças, em língua portuguesa. Nos primeiros anos de estudante já escrevia pequenos contos para os jornaizinhos de sua escola.
  Em 1896, foi para São Paulo, de onde escrevia minuciosas cartas a sua
família, descrevendo a cidade.
  Retornou a Taubaté. Em 1898,  perdeu o pai e, um ano depois, sua mãe .
  Tendo forte talento para o desenho, pois desde menino retratava a fazenda do avô, tornou-se desenhista e caricaturista.

                          A Volta para São Paulo

  Foi para São Paulo, aos 17 anos. Seu sonho era a Escola de Belas Artes, mas por imposição de seu avô, que o tinha como um sucessor na administração de seus negócios, cursou Direito. Mesmo assim, colaborou em diversas publicações estudantis e fundou, com seus colegas, a “Arcádia Acadêmica”, da qual acabou sendo eleito presidente .Colaborou com o jornal “Onze de Agosto”, com artigos sobre teatro. Era anti-convencional,dizendo sempre o que pensava, agradasse ou não. Defendia a sua verdade com unhas e dentes, contra tudo e contra todos, quaisquer que fossem as  consequências. 
                                       
    O Advogado

  Diplomando-se , regressou a Taubaté, onde passou a ocupar interinamente a promotoria. Dois anos depois, foi nomeado promotor público em  Areias . Casou-se  com  Maria Pureza da Natividade ( Purezinha), em 1908 e teve quatro filhos: Marta, Edgar, Guilherme e Rute.
  Insatisfeito com a vida bucólica de Areias,  abriu um estabelecimento comercial de secos e molhados. Depois, associou-se a um negócio de estradas de ferro. Viveu no interior e nas cidades pequenas da região, escrevendo, paralelamente, para jornais e revistas, como “A Tribuna de Santos”, a “Gazeta de Notícias” do Rio de Janeiro e a revista “Fon-Fon” para onde também mandava caricaturas e desenhos. Passou a traduzir artigos  para o jornal “O Estado de São Paulo” e obras da literatura universal, também enviando artigos para um jornal de Caçapava. Contudo, estava insatisfeito com a vida que levava e com os negócios .
 Com o falecimento de seu avô, tornou-se herdeiro da Fazenda Buquira, para onde se mudou. De promotor a fazendeiro, dedicou-se à modernização da lavoura e à criação.  Ainda insatisfeito mas, dessa vez, com a vida na fazenda, planejou explorar comercialmente o Viaduto do Chá, em São Paulo, em parceria com um amigo.

                                    A  FAMA

  Na Vila de Buquira, hoje Município de Monteiro Lobato,  envolveu-se com política e logo a deixou de lado.
  Como fazendeiro , um fato definiria de vez sua carreira literária:  cansado de enfrentar o inverno seco daquele ano e as constantes queimadas praticadas pelos caboclos, escreveu uma “indignação” intitulada “A Velha
 Praga”. O jornal percebeu o valor daquela carta e publicou-a fora da seção  destinada aos leitores, no que acertou, pois ela provocou polêmica e fez com que Lobato escrevesse outros artigos  como  Urupês (que se tornou seu primeiro livro), dando vida a um de seus mais famosos personagens: Jeca Tatu, que era um grande preguiçoso, totalmente diferente dos caipiras e índios idealizados pela  literatura da época. Gerou polêmica  pois o personagem era símbolo do atraso e da miséria que representava o campo  no Brasil.
  As dificuldades financeiras fizeram-no vender a Fazenda Buquira e mudar-se para São Paulo, em 1916,com o intuito de tornar-se um “escritor-jornalista”. Fundou uma revista em Caçapava e organizou para o jornal “ O Estado de São Paulo” uma imensa pesquisa sobre o Saci.                        
                            Os Quatro G de 1918

 Geada, Greve, I Guerra Mundial e Gripe Espanhola.
 Sobre a  geada,  escreveu  uma importante crônica,impressionado  com a queima dos cafezais paulistas. Na época, ainda escrevia para o jornal  “O Estado de São Paulo” e, como todos os editorialistas pegaram a gripe espanhola, vários editoriais foram escritos unicamente por ele.
 Nesse ano, comprou a Revista do Brasil e passou a dar espaço para  novos talentos, ao lado de pessoas famosas.

                           Semana da Arte Moderna

 Publicou “Paranoia ou Mistificação”,a famosa crítica desfavorável à exposição de  Anita Mafaltti, que culminaria como o estopim para a criação da Semana da Arte Moderna de 1922. Muitos passaram a vê-lo como reacionário, mas hoje, após tantos anos, percebe-se que o que Lobato criticava eram os “ismos” que vinham da Europa: cubismo, futurismo, dadaísmo, surrealismo, que ele achava que eram “colonialismos”, “europeizações”, assim como ocorrera com os acadêmicos das gerações anteriores. No entanto, reconhecia o talento de Anita. Lobato defendia a eugenia, por acreditar que a miscigenação era fator prejudicial na formação do povo brasileiro. Seu livro “O Presidente Negro”, descreve um conflito racial no futuro, após a eleição de um negro para a presidência dos EUA.

                             O Editor e Escritor

  A Revista do Brasil prosperou e ele  montou uma editora .Passou a tratar os livros como produtos de consumo, com capas coloridas e atraentes e uma produção gráfica impecável. Criou uma política de distribuição, novidade na época: vendedores autônomos e distribuidores por todo país.
  Fundou a Editora Monteiro Lobato & Cia . Editou obras importantes e polêmicas como  “A Luta pelo Petróleo”.                                                                                            
  Publicou em forma de livro “Urupês”, com grande sucesso e alcançando grande repercussão, ao dividir o país sobre a veracidade do caipira, fiel para alguns, exagerada para outros. Reacendeu a polêmica, ao citar Jeca Tatu como um “protótipo do camponês brasileiro, abandonado à miséria pelos poderes públicos”. A popularidade fez com que Lobato publicasse “Cidades Mortas” e “Ideias de Jeca Tatu”.
  Em 1920, o conto “Os Faroleiros” serviu de argumento para um filme.
Meses depois, publicou “Negrinha” e “A Menina do Narizinho Arrebitado”, sua primeira obra infantil e que deu origem a Lúcia, mais conhecida como a  Narizinho do “Sítio do Picapau Amarelo”.

Em janeiro de 1921, distribuiu exemplares gratuitos do último livro nas escolas, num total de 500 doações, tornando-se um fato inédito na indústria editorial. Fora um pedido do presidente de São Paulo, Dr. Washington Luís, de quem era admirador. O sucesso entre as crianças gerou continuações: “Fábulas de Narizinho”, “O Saci”, “O Marquês de Rabicó”, “A Caçada da Onça”, “O Noivado de Narizinho”, “Jeca Tatuzinho”, “O Garimpeiro do Rio das Garças”, entre outros.
  Deixou a “Revista do Brasil”e passou a dedicar-se integralmente à editora. A demanda pelos livros era tão grande que ele importou mais máquinas dos Estados Unidos e da Europa. Porém, uma grave seca cortou o fornecimento de energia elétrica e a gráfica só podia funcionar dois dias por semana. Por fim, o presidente Artur Bernardes desvalorizou a moeda e suspendeu o redesconto de títulos pelo Banco do Brasil, gerando um enorme rombo financeiro e muitas dívidas ao escritor.
  Lobato só teve uma escolha: entrou com pedido de falência. Mesmo assim, não significou o fim de seu projeto editorial. Abriu  “A Companhia Editora Nacional”, em sociedade com Octalles Marcondes  e transferiu-se
para o Rio de Janeiro. Os produtos  abrangiam uma variedade de títulos, inclusive traduções, com enorme sucesso de público.
  A partir daí, continuou escrevendo livros infantis, especialmente com Narizinho, Dona Benta, Pedrinho, Tia Nastácia, Visconde de Sabugosa e Emília.
  Por não gostar muito das traduções dos livros europeus para crianças e sendo um nacionalista convicto, criou aventuras com personagens ligados à cultura brasileira, recuperando costumes da roça e lendas do folclore.
  O presidente , reconhecendo nele um representante promissor dos interesses culturais do Brasil, nomeou-o adido comercial nos E.U.A.,em 1927. Então, ele se mudou para New York, onde jogou na Bolsa de Valores e perdeu  tudo que tinha, com a crise de 1929. Vendeu a Companhia Editora Nacional. Escreveu, durante sua estadia lá, vários contos publicados no Brasil e reunidos num único volume: “As Reinações de Narizinho”.Voltou para São Paulo, em 1931.Com a deposição de Washington Luís e o impedimento da posse de Júlio Prestes, começa a antipatia de Lobato por Getúlio Vargas e seu infortúnio.                         

                                    O Petróleo

  Implantou a “Companhia Petróleos do Brasil” e fundou várias empresas, realizando explorações  em território paulista.   
  Acusado de subversivo e desrespeitoso, por causa de uma carta escrita ao presidente, fazendo críticas à política brasileira de minérios, foi preso, em 1941. Libertado, continuou sendo perseguido, pois  denunciou as torturas e
 maus tratos praticados pelo Estado Novo. A censura da ditadura fez com que Lobato  se aproximasse  dos comunistas.
  Em 1945,o livro “A Menina do Narizinho Arrebitado”foi transformado em radionovela para crianças.  Tornou-se diretor do “Instituto Brasil-URSS” e sócio da “Editora Brasiliense”.
    Fugindo da escassez que assolava o Brasil, mudou-se para Buenos Aires, de onde voltou em 1947. A maioria de seus livros infantis se passavam no Sítio do Picapau Amarelo. Em 1948, faleceu. Depois de sua morte, seus livros infantis foram transformados em séries de televisão, com sucesso.
                                            Obras
“O Saci”, “Fábulas”, “ Peter Pan”, “Reinações de Narizinho”, “Caçadas de Pedrinho”, “ Emília no País da Gramática”, “Geografia de Dona Benta”, “Aritmética da Emília”, “Serões de Dona Benta”, “O Poço do Visconde”,”Histórias de Tia Nastácia”, “O Picapau Amarelo” etc. Alguns foram incuídos nos livros da série “O Sítio do Picapau Amarelo”. Muitos foram compilados no volume “Reinações de Narizinho”. Escreveu, também, vários livros para adultos.



PRINCIPAIS OBRAS


Obras Adultas

 


*      Urupês;

*      Cidades mortas;

*      Negrinha;

*      Idéias de Jeca Tatu;

*      A onda verde e O presidente negro;

*      Na antevéspera;

*      O escândalo do petróleo e Ferro.

      Obras Infantis

*      Reinações de Narizinho;

*      Viagem ao céu e O Saci;

*      Caçadas de Pedrinho e Hans Staden;

*      História do mundo para as crianças;

*      Memórias da Emília e Peter Pan;

*      Emília no país da gramática e Aritmética da Emília;

*      D. Quixote das crianças;

*      O poço do Visconde;

*      Histórias de tia Nastácia;

*      O Picapau Amarelo e A reforma da natureza;

*      O Minotauro;

*      Os doze trabalhos de Hércules




Resumos:

*      Urupês

Este livro de contos, considerado por muitos a obra-prima de Monteiro Lobato, tornou-se um clássico da literatura brasileira. É um fenômeno sem precedentes que provoca um terremoto literário, outro sociológico e outro político. A primeira edição, lançada em 1918, foi toda ilustrada pelo próprio Lobato. Junto com Saci, constitui a primeira experiência e também o primeiro êxito editorial de Lobato, financiada com recursos próprios. A terceira edição, em 1919, esgotou-se rapidamente, devido a uma longa referência ao Jeca Tatu, personagem central do livro, feita por Rui Barbosa, o que ensejou uma quarta edição. Lobato brinca com o idioma, adota o vocabulário doméstico do interior de São Paulo, cria palavras novas – como, por exemplo, “matracolejando gargalhadas” – muitas das quais estão hoje nos dicionários. São vários contos, retratando aspectos da realidade brasileira nos quais denuncia, numa linguagem vigorosa, o drama da exclusão social, que ainda persiste no Brasil pós-Lobato. “Velha Praga” é uma reportagem sobre os grandes incêndios – as queimadas – que produzem estragos na lavoura e na economia do País comparáveis aos de uma grande guerra. Buscando culpa, refere-se ao nosso caboclo como “funesto parasita da terra… inadaptável à civilização”. Em Urupês, ele contrapõe aos heróis da literatura indigenista o caboclo, o pobre Jeca, indiferente ao desenvolvimento do País. O livro provocou muita polêmica. Lobato mais tarde reconheceu que o retrato do caboclo era injusto, que a culpa não era do Jeca, mas sim daqueles responsáveis pela sua miséria e abandono.

*      Idéias de Jeca Tatu

No prefácio à primeira edição da Revista do Brasil, em 1919, provavelmente redigido pelo próprio Lobato, afirma-se que “uma idéia central unifica a maioria destes artigos” …. Essa idéia é um grito de guerra em prol da nossa personalidade. Contém o artigo “Paranóia ou mistificação?”, uma crítica aos modernistas, diretamente a Anita Malfatti, que provocou polêmica e a ira dos amigos da pintora.
Ele não admitia que aqui se copiasse o que se produzia na Europa. Queria que o “vigoroso talento” de Anita produzisse coisas mais nossas. Anota o editor que nas numerosas páginas deste volume a terra aparece em suas ominadas expressões – o interior, a roça, a gente da roça, os costumes e comidas da roça. …
 Em Idéias de Jeca Tatu, “Monteiro Lobato aparece em mangas de camisa, integralmente ele próprio no pensamento e no modo de expressá-lo – vivo, alegre, brincalhão e com a ironia às vezes levada até à crueldade”.

*      Reinações de Narizinho

O livro-mãe, a locomotiva do comboio, o puxa-fila. A saga do Picapau Amarelo começa. Aparecem Narizinho, Pedrinho, Emília, o Visconde, Rabicó, Quindim, Nastácia, o Burro Falante… e o milagre do estilo de Monteiro Lobato vai tramando uma série infinita de cenas e aventuras, em que a realidade e a fantasia, tratadas pela sua poderosa imaginação, misturam-se de maneira inextrincável – tal qual se dá normalmente na cabeça das crianças. O encanto que as crianças encontram nestas histórias vem sobretudo disso: são como se elas próprias as estivessem compondo em sua imaginativa, e na língua que todos falamos nessa terra – não em nenhuma língua artificial e artificiosa, mais produto da “literatura” do que da espontaneidade natural (1931).

*      Caçadas de Pedrinho e Hans Staden

Pedrinho organiza uma caçada de onça e sai vitorioso, como também sai vitorioso do ataque das onças e outros animais ao sítio de dona Benta. Depois encontra um rinoceronte, fugido de um circo do Rio de Janeiro, que se refugiara naquelas matas – um animal pacatíssimo do qual Emília tomou conta, depois de batizá-lo de Quindim. Completa o volume a narrativa feita por dona Benta das célebres aventuras de Hans Staden. Esse aventureiro alemão veio ao Brasil em 1559 e esteve nove meses prisioneiro dos tupinambás, assistindo a cenas de antropofagia e à espera de ser devorado de um momento para outro. Mas se salvou e voltou para a Alemanha. Lá publicou o seu livro: o primeiro que aparece com cenário brasileiro e um dos mais pungentes e vivos de todas as literaturas (1933).

Bibliografia:   http://monteirolobato.wordpress.com 
                    https://www.google.com.br

 




                                                                                                                                                                                                     

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Convite
3ª Reunião do Núcleo de Contadores de História “CirAndando”

Parceria: IAT/PROLER/FIEMG/Of. Cultural e Biblioteca Pública

Data: 18/Abril de 2012

Horário: 08h às 11h30 ou 13h às 17h ou 18h às 21h30

Local: Oficina Cultural (Praça Clarimundo Carneiro, 204)

Taxa de Participação por Reunião – R$5,00

Esperamos por você!

2012 – Agenda de Reuniões Formativas
15/Fevereiro
14/Março
18/Abril
16/Maio
13/Junho
 04/Julho
08/Agosto
 12/Setembro
17/Outubro
07/Novembro
04/Dezembro

terça-feira, 27 de março de 2012

No último encontro de Formação Continuada dos Professores de Biblioteca e de Literatura, da rede Municipal em Uberlândia.
No CEMEPE - Centro Municipal de Estudos e Projetos Educacionais Julieta Diniz,
Daniela coordenadora do Programa Biblioteca Escolar, presenteou a todos com um vídeo que exalta a importancia da literatura na forma do LIVRO.
Vale lembrar que o curta é  o vencedor do Oscar de melhor curta-metragem de animação 2012.

 “Os fantásticos livros voadores do Mr. Morris Lessmore”



Os fantásticos livros voadores do Mr. Morris Lessmore é um curta produzido pelo autor/ilustrador/cineasta americano William Joyce e pelo diretor Brandon Oldenburg. O curta mostra a história de pessoas que dedicam suas vidas aos livros e são recompensadas por eles. Teve como influências o episódio com o furação Katrina em 2005, em Nova Orleães nos Estados Unidos, o ator de comédias muda Buster Keaton, e filmes como O mágico de Oz e Cantando na Chuva. A produção é ganhadora ao Oscar 2012 na categoria de melhor curta-metragem de animação. É uma obra de arte. (http://jovembrilhante.blogspot.com.br/2012/02/os-fantasticos-livros-voadores-do-mr.html)


Nelly Novaes Coelho

DESTAQUE 



Nelly Novaes Coelho em 2006  abriu o seminário de literatura infanto-juvenil em Uberlândia.
Estimulou a  criação do Núcleo de Contadores de História "CirAndando" de Uberlândia/MG, do qual é Conselheira e orientadora.

Clique abaixo e saiba um pouco mais sobre nossa conselheira

http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_item=35&cd_verbete=5766

quarta-feira, 14 de março de 2012

CARACTERÍSTICAS DO CONTADOR DE HISTÓRIA

“CIRANDANDO”  
NÚCLEO DE CONTADORES DE HISTÓRIA
Uberlândia, 14/03/2012
Aula nº 01  -  CARACTERÍSTICAS DO CONTADOR DE HISTÓRIA
1ª  -  Estar em boas condições de saúde.
2ª  -  Estar completamente disponível para o momento da contação;
3ª  -  Estar informado a respeito do público alvo:  faixa etária, local e motivação do convite.
4ª  -  Conhecer profundamente as fábulas grego-romanas, os arquétipos e a mitologia grega, a literatura “infantil” recolhida na Europa, na Ásia  e no oriente, a produção da indústria cultural moderna:  filmes,  quadrinhos, cartoons, videos, jogos, tv e internet.
5ª  -  Ler, reler, buscar outras versões da mesma história para ser capaz de construir e desconstruir o enredo junto com seu público, se for o caso.
6ª  -  Estabelecer o tempo de sua performance.
7ª  -  Selecionar  as histórias mais pertinentes para garantir o sucesso de seu trabalho.
8ª  -  Preparar mais uma ou duas histórias para a eventualidade de um pedido do público.
9ª  -  Não improvisar. Não florear. Não esticar a história. Não colocar  “cacos”.
10ª  -  Reler a história com antecedência para evitar lapsos de memória durante a apresentação.
11ª  -  Não transformar a história num instrumento de tortura.
12ª  -  Viver a história, como se fosse protagonista.
 DA PREPARAÇÃO DO CONTADOR
1 – Figurino  -  Há  narradores que precisam se vestir  de maneira especial: palhaços, vovós, fadas, pretos velhos, fantasmas, animais, vegetais ... Outros contam sem artifício, sem maquiagem, sem bengalas, sem cadeiras de balanço,... Abrem o coração e contam. E há quem prefira apenas ler, a boa e honesta leitura em voz alta.
2  -  Postura  -  Sentado ou de pé, o narrador oral deve estar sempre próximo do ouvinte, olho no olho. Sempre que possível, evitar o uso de microfone. Ficar ziguezagueando pelo palco pode entorpecer o público.
3  -  Silêncio  inicial  -   A história não pode começar enquanto houver conversas, cochichos, arrastar de cadeiras, janelas batendo, entre-e-sai de pessoas no recinto, composição da mesa diretora.
4  -  Apresentação pessoal  -  Por mais reconhecido que seja o narrador oral, em respeito ao público ele deve se apresentar e anunciar a história que vai contar, sua fonte e autor, se houver. Exibir o livro que a contém valoriza ainda mais a arte literária.
5  -  Voz  -  Proferir  uma palestra, ministrar uma aula, celebrar um culto, declamar um poema, atuar numa peça, vender um produto, são atividades muito distintas, cujo sucesso decorre de muita  dedicação e exercício. Todas dependem da VOZ, que deve ser firme, clara, agradável, expressiva, comedida e emocionada. CALIFASIA  é a arte de tornar a palavra distinta, correta, expressiva e agradável.
6  -  Tom  -  Quando o tom da voz do narrador  é agradável, a história flui bem. Quatro defeitos devem  ser corrigidos:  voz rouca, dupla, grossa e excessivamente fina (voz de falsete).
7  -  Timbre  -  A voz tem um certo timbre porque determinados hormônios  acham-se presentes.  O timbre tem origem nas cordas vocais e é modificado pelos ressoantes. Uma  classificação superficial o identificaria como claro, nasal, áspero, seco, rouco, aspirado.
8  -  Texto e vocábulo  -  Se o texto é adequado ao público, se cada palavra é proferida com propriedade, se o timbre de voz obedece aos sinais  de pontuação, a apresentação já está fadada ao sucesso. Entretanto, se o que se pretende é acumpliciar o público e enredá-lo nas teias do encantamento,  o grande aliado é a respiração, valorizando cada passo da narrativa.
9  -  Silêncio  -  O silêncio tem o condão de preencher todos os espaços da emoção. É desafio, expectativa, susto, reflexão, esclarecimento, consolo, abertura e desfecho.
10  -  Defeitos de dicção :  gagueira, tartareio e balbuciência.  A gagueira torna qualquer pessoa muito infeliz. Tem forte conexão com baixa-estima e perturbações familiares na infância. É facilmente corrigida com exercícios de canto. Quanto mais cedo, melhor. Tartareio é um vício de dicção presente na fala de pessoas incultas.  A  lei do menor esforço também cria oásis de comunicação, principalmente entre jovens, dentro de seu território . ...sa..ko..mé... (você sabe como é), ...fá...si...não... (não faz assim não), ...ô...num...gó..di...dô... (eu não gosto de doce). Balbuciência é a dificuldade manifesta na fala de pessoas muito tímidas ou mentirosas. É a repetição da mesma letra ou palavra, com interrupção do fio narrativo. A palavra não ocorre, a frase não se conclui. ...é... é... é..., aí ele... ele... ele... O balbuciente tem  déficit de atenção.
11  -  Tiques, cacoetes, estribilhos  -  Fungar, piscar, revirar os olhos, repuxar o queixo e o pescoço, aparar as unhas das mãos com as mãos, são tiques nervosos que comprometem o narrador e a narração. O pior de todos os cacoetes, e o mais recorrente, é ... aí, né... A televisão, que só deveria elevar a humanidade, tem às vezes um poder de massificação e imbecilização avassalador. Neste momento as expressões “teen” mais disseminadas são mano, cara e maneiro... Na dicção os estribilhos, palavras, expressões, são preferências pessoais: realmente... , faça ideia..., aliás... A  ascensão financeira transparece no esforço de uma comunicação verbal mais apurada. Aliás, diga-se de passagem... , concorda comigo?...Sem falar no irritante ...meu amor... , ...meu bem... que pessoas recém-chegadas  ao novo convívio  utilizam com intimidade.  A imprensa chama isto de bordão.
12  - Atenção e simpatia  -  Dispensar a todos os ouvintes a mesma atenção e simpatia sem privilegiar grupos , dirigindo sua fala e seu olhar a todos os participantes. Se a história permitir interação, que interajam  ouvintes de toda a platéia.
13  -  Fio narrativo  -  Jamais interromper o fio narrativo com advertências,  mesmo que exista alguém  perturbando a reunião.  Deve ficar acertada previamente a presença de um professor ou responsável pelo público, durante o desenrolar da atividade. Como acontece no teatro, pode haver um “tirolês” na platéia, disposto a pôr a perder a performance.
14  -  Retirar-se do palco ou da sala assim que terminar a narrativa. Dialogar com os ouvintes somente quando isto estiver previsto e acordado.
15  -  Em casa, diariamente, fazer leitura em voz alta de textos literários.
1ª  RECOMENDAÇÃO  -  Quando uma criança pede a palavra durante a narrativa, o contador deve avaliar rapidamente se aquela solicitação é urgente. Caso assim lhe pareça, interrompa a história e deixe que a criança relate sua própria experiência. Às vezes esta é uma decisão sábia.
2ª  RECOMENDAÇÃO  -  Encerrada a história alguém pode discordar  do enredo narrado e se propor a contar a seu modo. Este momento, de rara interação público-narrador, pode ensejar uma desconstrução da história original, o que é um ganho para todos os participantes e uma inequívoca demonstração de liberdade e democracia. É neste momento que as lideranças se revelam e a criatividade produz os melhores frutos.

 Texto elaborado por Martha F. A. Pannunzio em 04-03-2012.
Bibliografia  Consultada –
 TAHAN, Malba – A ARTE DE LER E DE CONTAR HISTÓRIAS, 4ª Ed. – Editora Conquista, Rio de Janeiro, Brasil, 1964.


CONVITE




                                                      Convite



 2ª Reunião do Núcleo de Contadores de História
                       “CirAndando”
Parceria: IAT/PROLER/FIEMG/Of. Cultural         e  Biblioteca Pública
Data: 14/Março de 2012
Horário: 08h às 11:30 ou 13h às 17h ou
               18h às 21h30min
Local: Oficina Cultural
           Praça Clarimundo Carneiro, 204
   
  Datas das próximas Reuniões de 2012:

 . 14/Março                   . 08/Agosto
 . 18/Abril                     . 12/Setembro
 . 16/Maio                     . 17/Outubro
 . 13/Junho                   . 07/Novembro  
 . 04/Julho                   . 04/Dezembro